Como funciona o encaminhamento para cirurgia de varizes pelo SUS: Um guia sobre o fluxo de atendimento e regulação
O encaminhamento para cirurgia de varizes pelo SUS é um processo estruturado que envolve múltiplas etapas dentro da Rede de Atenção à Saúde. Para pacientes que sofrem com veias dilatadas e sintomas circulatórios, entender esse fluxo é fundamental para garantir o acesso ao tratamento adequado. O sistema público brasileiro organiza o atendimento de forma hierarquizada, priorizando casos em que a insuficiência venosa compromete a funcionalidade e a saúde do indivíduo, indo além das queixas puramente estéticas 2. Com o avanço das políticas de redução de filas, diversas regiões do país têm implementado mutirões e ampliado a capacidade de atendimento especializado para suprir a demanda histórica por esses procedimentos 25.
A Porta de Entrada e a Consulta na Unidade Básica de Saúde
A jornada do paciente no sistema público começa obrigatoriamente na Unidade Básica de Saúde (UBS), também conhecida como posto de saúde do bairro. Esta unidade é a porta de entrada preferencial, onde o médico clínico geral ou a equipe de estratégia de saúde da família realiza a avaliação inicial dos sintomas 5. Durante a consulta, o profissional analisa queixas como dor, sensação de peso nas pernas, inchaço e a presença de veias tortuosas que podem indicar insuficiência venosa crônica 17. É nesta etapa que se diferencia se o quadro pode ser manejado com medidas conservadoras, como o uso de meias de compressão e orientações posturais, ou se exige a intervenção de um especialista 30.
Caso o médico identifique a necessidade de uma avaliação mais profunda, ele emite um encaminhamento para a especialidade de angiologia ou cirurgia vascular 3. Esse pedido é registrado no sistema municipal ou estadual, iniciando o processo de regulação. É importante que o paciente mantenha seus dados cadastrais atualizados, pois a comunicação sobre agendamentos futuros dependerá dessas informações registradas no Cartão Nacional de Saúde 8.
O Papel da Regulação e a Classificação de Risco Clínico
Uma vez que o encaminhamento é inserido no sistema, ele passa pela Central de Regulação, que funciona como um filtro organizador da demanda pública. O SUS utiliza critérios de classificação de risco para determinar a prioridade de cada paciente, o que significa que a ordem de atendimento não é estritamente cronológica, mas sim baseada na gravidade clínica 3. Pacientes que apresentam complicações como úlceras venosas ativas, episódios de sangramento (varicorragia) ou histórico recente de trombose venosa profunda recebem prioridade na fila de espera 2.
A regulação busca equilibrar a oferta de vagas em hospitais de referência com as necessidades da população local. Em cidades como São José dos Campos, por exemplo, o Hospital Municipal dobrou sua capacidade mensal de cirurgias vasculares para agilizar esse fluxo, passando a realizar cerca de 40 procedimentos por mês para reduzir o tempo de espera 4. Após a aprovação pela regulação, o paciente é convocado para uma consulta com o cirurgião vascular, que confirmará a indicação cirúrgica e solicitará exames pré-operatórios, como o ultrassom Doppler venoso, essencial para o mapeamento da circulação 14.
Critérios de Elegibilidade e Cobertura do Procedimento
O Sistema Único de Saúde garante a realização de cirurgias de varizes quando estas possuem finalidade funcional e reparadora. De acordo com as diretrizes vigentes, procedimentos puramente estéticos, como a remoção de pequenos vasos (telangiectasias) que não causam sintomas clínicos, geralmente não são cobertos pela rede pública 2. A cobertura foca no tratamento da insuficiência venosa que causa limitação física, dor persistente ou risco de evolução para quadros mais graves, como a dermatite ocre ou feridas de difícil cicatrização 17.
Para que a cirurgia seja autorizada, o paciente deve preencher requisitos técnicos avaliados pelo especialista, que incluem:
- Presença de sintomas documentados que não melhoraram com tratamento clínico inicial 30.
- Confirmação de refluxo venoso significativo por meio de exame de imagem (Doppler) 18.
- Condições de saúde geral que permitam a realização do ato cirúrgico com segurança 2.
- Classificação do quadro dentro da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS (SIGTAP) 2.
Modalidades Cirúrgicas e Técnicas Disponíveis na Rede Pública
As técnicas oferecidas pelo SUS podem variar conforme a infraestrutura da unidade hospitalar e a disponibilidade de equipamentos. A técnica mais comum é a safenectomia convencional, também conhecida como stripping, que consiste na retirada física da veia safena doente por meio de pequenas incisões 13. Além desta, a microflebectomia é frequentemente utilizada para a remoção de veias colaterais superficiais que estão dilatadas 30. Ambas as técnicas exigem um período de recuperação pós-operatória e acompanhamento para monitorar a cicatrização e o retorno da circulação saudável.

| Técnica Cirúrgica | Descrição do Procedimento | Disponibilidade no SUS |
|---|---|---|
| Safenectomia Convencional | Retirada da veia safena principal com incisões na virilha e tornozelo. | Alta disponibilidade em hospitais gerais 13. |
| Escleroterapia com Espuma | Injeção de substância esclerosante guiada por ultrassom para fechar a veia. | Disponível em centros especializados e mutirões 20. |
| Flebectomia Simples | Remoção de veias tributárias menores por microincisões. | Comum como complemento da cirurgia principal 30. |
Embora tecnologias como o laser endovenoso e a radiofrequência sejam consideradas padrão-ouro em alguns contextos por serem minimamente invasivas, sua oferta no SUS ainda é restrita a centros de alta complexidade ou projetos específicos de pesquisa e inovação tecnológica 11. A escleroterapia com espuma tem ganhado espaço por ser um procedimento ambulatorial que dispensa internação hospitalar em muitos casos, permitindo tratar pacientes que possuem contraindicações para a cirurgia tradicional 20.
Iniciativas Regionais e Mutirões de Atendimento
Para enfrentar a demanda reprimida, o Ministério da Saúde e as secretarias locais têm promovido ações estratégicas conhecidas como mutirões. Em 2025, o governo federal registrou um recorde histórico com a realização de mais de 326 mil cirurgias do aparelho circulatório, um aumento significativo em comparação a anos anteriores 29. Programas como o Agora Tem Especialistas têm mobilizado hospitais universitários, filantrópicos e santas casas para realizar milhares de procedimentos eletivos em curtos períodos, como ocorreu em estados como Tocantins e Alagoas 26, 1.
Em Maceió, o PAM Salgadinho é um exemplo de unidade que oferece tratamento gratuito para varizes, incluindo a avaliação e o encaminhamento para procedimentos 1. Na Bahia, municípios como Lajedão realizaram etapas sucessivas de mutirões para garantir que pacientes que já iniciaram o acompanhamento tenham a continuidade do tratamento cirúrgico assegurada 6. Essas iniciativas são fundamentais para reduzir o tempo de espera nas filas de regulação e proporcionar melhor qualidade de vida para a população que depende exclusivamente do sistema público de saúde 27.
Direitos do Paciente e Monitoramento do Processo
O acesso à cirurgia reparadora é um direito garantido pela Constituição Federal e pela Lei 8.080/90, que estabelece o princípio da integralidade da assistência à saúde 15. Isso significa que o Estado deve prover não apenas a cirurgia, mas também todo o acompanhamento pós-operatório, medicamentos necessários e sessões de fisioterapia, caso sejam indicadas pelo médico assistente 2. É direito do paciente ser informado sobre sua posição na fila de espera e sobre os riscos e benefícios do procedimento escolhido.
Para facilitar a transparência e o acompanhamento, o Ministério da Saúde disponibiliza o aplicativo Meu SUS Digital. Através desta ferramenta, o cidadão pode consultar seu histórico de atendimentos, verificar encaminhamentos ativos e acompanhar a evolução de solicitações de exames e cirurgias 8. A gestão digital do atendimento ajuda a evitar perdas de prazos e garante que o usuário tenha maior controle sobre sua trajetória dentro do sistema de saúde, promovendo um atendimento mais humano e eficiente 5.
Sources
- TNH1 - Tratamento de varizes no PAM Salgadinho em Maceió
- PerguntaSaúde - Guia de cirurgias cobertas pelo SUS
- Esmael Morais - Fluxo de consultas e cirurgias no SUS
- RoteiroSJC - Ampliação de vagas de cirurgia vascular em São José dos Campos
- Esmael Morais - Guia prático de atendimento no SUS
- Bahia ExtremoSul - Mutirão de cirurgia de varizes em Lajedão
- Portal da Ortopedia - Regulação e acesso ao atendimento especializado
- Gov.br - Consulta de histórico e aplicativo Meu SUS Digital
- Juliana Puggina - Tipos de cirurgia de varizes e indicações
- Angiologista Taguatinga - Diagnóstico e escolha de técnicas vasculares
- IACV - Cirurgia a laser e tecnologias endovenosas
- IACV - Evolução dos tratamentos para varizes
- LegCare - Comparativo entre cirurgia convencional e moderna
- Barão Vascular - O papel do cirurgião vascular no diagnóstico
- Laureano & Medeiros Advogados - Direitos à cirurgia reparadora pelo SUS
- Vascular.pro - Tendências de tratamento vascular em 2026
- Mundo Vascular - Critérios para tratamento de varizes e sintomas
- Barão Vascular - Avaliação para tratamento sem cirurgia
- Ideal MT - Fluxo de alta complexidade no SUS
- Medicina em Foco - Escleroterapia com espuma e benefícios
- Dr. João Daniel - Tratamento de insuficiência venosa crônica
- Plano de Saúde - Cobertura e direitos ANS (Contexto)
- Rede D'Or - Definição de cirurgia vascular
- Dra. Catarina Almeida - Expectativas pós-operatórias
- Gov.br - Programa Agora Tem Especialistas e cirurgias eletivas
- Gov.br - Mutirões de cirurgias em Tocantins
- Gov.br - Atendimento especializado no interior do país
- Dr. Paulo Laredo - Protocolos de tratamento vascular
- Popular Notícias - Recorde de cirurgias cardiovasculares no SUS
- Medicina em Foco - Flebectomia e evolução do tratamento venoso